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A EDUCAÇÃO VEM DE BERÇO. SERÁ?

Ligia Sanchez


Já foi o tempo em que se dizia que a criança era o espelho dos pais, e que a educação vinha do berço. Hoje a criança é o espelho da escola, do ambiente em que vive e dos programas que assiste, pois é em companhia dos professores, dos amigos de escola, em frente ao computador e a televisão que a criança passa a maior parte do seu tempo.

Na maioria dos lares modernos, pais e filhos tem pouquíssimo tempo juntos e não os aproveitam como deveriam, compartilhando suas experiências, discutindo valores ou simplesmente divertindo-se.

Antigamente dizia-se que o horário das refeições era sagrado. Nesse momento de reunião familiar, os pais educavam os filhos, mostrando-lhes boas maneiras, corrigindo as falhas cometidas durante o dia, perguntavam-lhes sobre a escola, ou seja, era um momento de ensinar e conhecer os filhos.

Atualmente, os membros da família almoçam em horários e locais diferentes, até por conta de exigências profissionais dos pais, e escolares dos filhos, mas nos momentos em que podem ficar juntos, acabam colocando-se em frente ao computador ou a televisão e lá se vai a chance do diálogo, da convivência, do aprendizado mútuo e da formação da cumplicidade. Na ânsia de receber informação de fora, deixam de receber a informação de dentro do seu próprio lar.

Se lançarmos um desafio, ficará evidente que as pessoas estão melhor informadas sobre as crises internacionais, do que sobre as crises pessoais de seus familiares.

E o que dizer dos pequeninos, que hoje são educados pelas babás, pelas tias dos berçários e pelos programas infantis porque seus pais estão ocupados e cansados demais para fazê-lo?

Pessoalmente, não tenho nada contra, e vivo a mesma situação de centenas de mulheres que trabalham e são obrigadas a ficar afastadas dos filhos e da casa por muitas horas. Felizmente tenho o privilégio de contar com uma colaboradora me ajuda com meu filho, mas tenho a consciência de que não cabe a esta pessoa zelar e se responsabilizar pela educação dele. Esse é o meu dever.

Não raro converso com mães que contam orgulhosas que seus filhos já falam tudo, sabem contar, conhecem as cores etc., e quando lhes pergunto quem os ensinou, a resposta imediata é: a TELEVISÃO. Uma ou outra dá logo a dica: Deixe ligado um DVD educativo que eles aprendem tudo. E se lhes pergunto se elas também ensinam, a grande maioria responde que não tem paciência para isso.

Até acredito que haja programas educativos que de alguma forma ensinem as crianças, mas não aceito deixar que a Televisão e os DVDs ensinem o que eu deveria ensinar. Temos que educar nossos filhos para o mundo, mas não podemos atribuir ao mundo a obrigação de educá-los.

Meu filho completará um aninho em abril e optamos por ocupar-lhe o tempo com brincadeiras em casa, nas praças do bairro e no playground do prédio, evitando a televisão e os DVDs, e seu desenvolvimento tem sido igual, e em alguns pontos até melhor, comparando com crianças da mesma idade.

Cabe a cada pai e mãe passar aos filhos seus princípios e valores morais, mostrar-lhes a diferença entre o certo e o errado, dar-lhes motivação, aplicar a justa medida entre o elogio e a correção, e isso só deve ser feito com o esforço pessoal e direto, e não através dos recursos financeiros que permitam aos filhos frequentar boas escolas, aprender idiomas, praticar esportes e terem uma alimentação “equilibrada”.

É dos pais, e de mais ninguém, a responsabilidade de alimentar o corpo, a mente e o espírito de seus filhos, com palavras, gestos e atitudes, ou seja, com amor.