INDIVIDUALISTA OU COOPERATIVO?
Ligia Sanchez
Nos dias atuais distinguimos muito claramente as pessoas com espírito de cooperação e as individualistas. Seja no ambiente de trabalho, seja no ambiente social ou doméstico, o comportamento do indivíduo demonstra sua tendência diante de situações que lhe exijam a participação em grupo. Obviamente, cada um tem o direito de exercer suas características pessoais, mas esse direito encontra limites quando passa a interferir negativamente no coletivo, ou nas realizações pessoais.
Na esfera doméstica, podemos citar a divisão de tarefas¸ uma vez que todas, desde as mais simples como lavar a louça, até as mais complexas como a insuportável visita ao supermercado, podem ser realizadas por todos os membros da família, inclusive pelos adolescentes. Contudo, sempre há membros dentro das famílias com características individualistas e que se recusam a participar de tais tarefas, colocando em primeiro lugar os interesses pessoais, esquecendo-se de que tudo o que ali for realizado contribuirá para o bem estar de todos, inclusive o seu. Quando esse indivíduo deixa de realizar alguma tarefa, causa sobrecarga de tarefa ao outro, que por sua vez sofre consequências físicas e emocionais por assumir mais responsabilidades. Logo surgem o estresse, os problemas com a saúde e o desgaste na convivência familiar. Você já havia pensado nisso?
Vamos então avaliar o que a falta do ESPÍRITO DE COOPERAÇAO pode gerar no ambiente social. Estacionar o carro sobre a calçada impedindo ou dificultando o trânsito de pedestres, é uma típica demonstração de individualismo, pois quem o faz está pensando no seu conforto, mas se esquece de que tal atitude gera transtornos principalmente aos idosos e pessoas com crianças, que usam a rua para andar, arriscando-se a um atropelamento.
Outro bom exemplo são as reuniões de condomínios e bairros, que apesar de enfadonhas, são extremamente úteis para a discussão de problemas e encontro de soluções que atingem a coletividade. Normalmente o número de participantes é inexpressivo, o que dificulta o trabalho dos poucos determinados a promover o bem comum. Mas o mais interessante é observar que aqueles que mais criticam e reclamam são justamente os que não participam das reuniões, ou seja, os individualistas que colocam em primeiro lugar suas atividades particulares ou seu descanso, em detrimento de participar, por algumas poucas horas, de uma reunião onde poderiam contribuir com idéias e ações que gerariam benefícios para o grupo. Você se enquadra em qual tipo: é o morador acomodado/reclamão ou o atuante?
Finalmente, vamos entender o que se passa nas empresas. Estudos mostram que, em setores onde a maioria dos candidatos a emprego apresenta igualdade na qualificação técnica e teórica, as características pessoas tem sido o instrumento de seleção, com especial atenção a dois itens: FACILIDADE DE ADAPTAÇAO e DISPOSIÇAO PARA O TRABALHO EM EQUIPE.
A primeira se faz mister principalmente em tempos de crise, onde a extinção de cargos/funções acaba sendo a solução para redução de custos. Nesse caso, o funcionário que não tiver facilidade para adaptação não poderá ser reaproveitado dentro da empresa, e ficará sujeito à demissão.
Já a DISPOSIÇAO PARA O TRABALHO EM EQUIPE tem sido quesito de seleção porque aqueles que se mostram contrários a isso normalmente tem como característica de personalidade, o egoísmo e o egocentrismo, ou seja, são INDIVIDUALISTAS ao extremo. Para pessoas com esse perfil, torna-se muito difícil o convívio com o grupo de trabalho e, principalmente, aceitar a posição de liderado dentro de uma equipe. Para a empresa, de nada adianta ter excelentes líderes se não houver no grupo excelentes liderados. Daí a importância de perceber, no candidato, se ele saberá trabalhar em equipe, aceitando as orientações de um líder e buscando o trabalho em harmonia com os demais, em prol do grupo e da empresa. Em outras palavras, aqueles que forem adeptos do jargão “Eu quero saber de mim, e os outros que se lixem” estão fadados ao desemprego por um longo tempo. E você, seria capaz de abandonar o individualismo, e tornar-se cooperativo? Considere essa possibilidade, caso tenha a intenção de ingressar ou permanecer no mercado de trabalho em tempos de crise.