Artigos Diversos


Desvendando dons e vocações

Ligia M. N. Sanchez


Na entrevista desta edição, pudemos ver quão importante é a interferência dos pais na escolha profissional dos filhos, não direcionando e determinando qual caminho seguir, mas motivando a busca de dons e vocações.

O papel de pais e educadores não pode restringir-se apenas a dar formação. Eles devem atuar diretamente na motivação da criança e do jovem no seu autoconhecimento, na descoberta de seu Dom ou de sua Vocação, os quais servirão de base para a escolha profissional.

É certo que nem sempre podemos conciliar Dom e Vocação, por questões culturais, econômicas ou práticas, mas também é verdade que a escolha de uma profissão não pode levar em conta a moda e o dinheiro. Quem escolhe sua profissão com base no retorno financeiro, corre sério risco de jamais ganhar o dinheiro esperado, pois só alcança sucesso aquele que exerce a profissão com amor e dedicação, itens que não combinam com ganância e imediatismo. Do mesmo modo erram ao escolher a profissão da moda, pois quando concluí-rem o curso, o que deve ocorrer entre 4 e 6 anos contados da escolha, é bem provável que a moda seja outra e que o mer-cado já esteja saturado de profissionais da área escolhida.

Portanto, é indiscutível que o ideal seria escolhermos a profissão com base em nosso Dom ou Vocação.

A palavra Dom é sinônima de donativo, dádiva, dotes naturais. Ou seja, o Dom do indivíduo é aquele que se apre-senta desde a tenra infância, nas brincadeiras, nos trejeitos, no desejo de ser médico, professor ou atleta, e isso deve ser observado pelos pais e educadores e, sutilmente mostrado à criança para que ela perceba ´que nasceu para isso ou aqui-lo´. Já a Vocação tem por significados o ato de chamar, esco-lha, predestinação, tendência ou inclinação, talento, e outro interessante sinônimo ´terreno em que a árvore se adapta de maneira admirável´. Também isso pode ser observado nas mesmas condições do Dom, mas acaba sendo mais fácil, pois trata não de algo nato, mas de uma capacidade de adaptação, da possibilidade de desenvolvimento e de opção.

Sendo assim, é bem provável que o indivíduo que consiga perceber seu Dom ou sua Vocação, e que os leve em conside-

ração ao escolher a profissão a seguir, seja um vencedor tanto no aspecto pessoal quanto no profissional, posto que direcionará seu desenvolvimento em campos a que tenha mais competência e maior motivação para estudar e se dedicar ao longo da carreira.

Ocorre que na atualidade, a grande maioria das escolas prefere dar uma formação global e técnica, visando única e exclusivamente preparar o aluno para o Vestibular e para o competitivo mercado de trabalho, deixando de lado seu lado lúdico e humano. São muitas as conseqüências negativas desse tipo de preparo pedagógico, mas acredito que a principal é que, com o passar do tempo e a chegada da maturidade, esse profissional acabará desestimulado a progredir profissionalmente ou optará por iniciar-se numa nova profissão. Mas o que é ainda pior, é que boa parte não terá essa chance, e chegará à aposentadoria insatisfeito, frustado e com a sensação de que algo lhe faltou. Faltou sim, pois deixou de escolher aquilo que lhe daria prazer, e que feito com alegria lhe traria a satisfação pessoal e financeira.

Sendo assim, gostaria de passar aos leitores um conselho para o próximo ano, pois o começo de um novo ciclo é o melhor momento para buscar mudanças. Se você for pai ou educador, tente buscar em seu pupilo dons e vocações. Motive-o a se autodescobrir, e o incentive na aventura de novos conhecimentos e experiências, deixe-o conhecer o fascínio pela leitura, a docilidade da música, a adrenalina dos esportes ou simplesmente estimule-o brincar, pois isso o ajudará hoje e no futuro. Caso você já tenha escolhido sua profissão e esteja descontente com o trabalho, salário, empresa ou rotina, puxe da memória aquilo que o motivava na infância e adolescência, e tente descobrir seu Dom e sua Vocação. É possível que o Dom não seja viável para aplicação por motivos econômicos, mas não desanime e parta para a Vocação, pois ela nos permite trilhar um caminho de sucesso por estar ligada a capacidade de adaptação.

Não lhes desejarei Sorte, mas DISCERNIMENTO para fazer boas escolhas, CORAGEM para recomeçar e FÉ para acreditar que sempre há tempo para MUDAR e buscar a FELICIDADE.

Feliz Natal e Próspero 2010!

Ligia Sánchez