
Será verdade que temos pouco tempo para dar conta de nossas atividades e para fazer o que gostamos? Como podemos viver mais tranqüilos, saudáveis e confiantes, cumprindo com as obrigações profissionais, familiares e atendendo nossas necessidades pessoais indispensáveis?
Os gregos já diziam “in áspera verita”, cujo significado é “no difícil está a verdade”. E muitos de nós acostumamo-nos com as facilidades que, se por um lado podem ser úteis, ajudando-nos em muitas atividades, por outro, levam-nos ao comodismo, sedentarismo e falta de iniciativa em nossa vida “não-profissional”.
Aprendemos a ser profissionais em nosso trabalho e nos tornamos amadores nos quesitos alimentação, relacionamento conjugal e familiar, lazer, voluntariado, atividades físicas, mentais e espirituais.
Da mesma forma que uma empresa terá êxito quando, senão todos, a maioria de seus funcionários e departamentos estiver em altos níveis de desempenho, nossa vida pessoal também, como seres globais que somos, será um sucesso quando, senão todas, a maioria de nossas atividades alcançarem marcas satisfatórias de desenvolvimento.
Se uma torção no dedão do pé, ou um pequeno corte na mão afetarão meu bem estar mental, emocional e físico, a falta de convívio com os filhos, a alimentação desregulada ou o baixo nível do lazer produzirão um desequilíbrio em nossas vidas que não necessariamente reajam imediatamente a essa falta, pelo contrário, geralmente essas reações virão ao longo dos anos.
É exatamente isso que está acontecendo hoje em dia. Muitas coisas importantes foram deixadas de lado pelo condicionamento e “automatização” das facilidades incorporadas em nosso dia-a-dia que, formou e continua nos formando, seres acomodados, sedentários e amadores nas questões extra-trabalho.
A menor dor nos leva ao medicamento mais avançado, tirando-nos a possibilidade de conhecer o que não está bom. O cansaço mental do trabalho, quando chegamos a casa, leva-nos a ligar o mais sofisticado aparelho de TV para ficarmos anestesiados com um bombardeio de informações e entretenimentos menos importantes do que a tranqüila conversa com nossos familiares.
A escolha de bons alimentos é substituída por algo instantâneo que já vem temperado, que atenderão as suas necessidades diárias a troca de algumas substâncias pequeninas e “inofensivas” introduzidas no seu organismo, cujos tamanhos, por porção, “podem” ser considerados zero! O problema é que a porção que ingerimos é bem maior que a considerada pelos fabricantes.
Pena que ninguém orienta que os remédios produzirão efeitos colaterais ao longo dos anos e que a causa geradora do mal inicial, se não foi conhecida, conscientizada e resolvida, irá se manifestar em outro lugar, ou seja, em outra parte do nosso organismo, cujos remédios encontram-se a disposição nas melhores drogarias, o que se torna uma facilidade enorme em termos de solução imediata e mudança de “foco”.
Ou seja, ao não sentir dor, focalizamos outras das muitas prioridades que temos e a causa da dor fica no “esquecimento”. Porém, atendendo a lei dos ciclos, o cobrador retornará querendo sanar a velha dívida, aquela que havíamos remediado.
Seria melhor ter ido à procura do que estava gerando nosso mal-estar e gradativamente resolvê-lo, do que ter optado pela facilidade daquele “remedinho”.
Quando estamos cansados mentalmente, a melhor coisa é arejá-la, ouvir uma música tranqüila, repassar os pensamentos e reorganizá-los, tal qual fazemos com o computador quando usamos o “skan disk”, aquela ferramenta que varre o computador a procura de erros, ou a fazemos a “limpeza do disco”, jogando fora o lixo acumulado.
Assistir intrigas, romances, facetas, comédias e dramas nem sempre é o melhor para nossas emoções e pensamentos, mas tenho que concordar que é outra facilidade que tomou o lugar da conversa com os amigos e vizinhos, das boas leituras, músicas e artes.
No entanto, com o passar dos anos, essas faltas são cobradas em forma de problemas psicológicos os mais diversos.
“O futuro a Deus pertence!” Claro, ele é o Dono da balança que pesará nossos esforços em todas as áreas, nossas comodidades, sedentarismos e colaborações para com o próximo.
Para que os “contra” não pesem mais que os “prós”, façamos hoje um trabalho de conscientização de tudo àquilo que temos diante de nós.
Avaliemos a importância de cada coisa que fazemos ou deixamos de fazer, de cada pessoa que atendemos bem ou deixamos de atender, de cada alimento que ingerimos, de cada conversa amiga e altruísta com nossos entes queridos ou mesmo com os desconhecidos.
Não adianta debater, polemizar e jogar palavras ao vento. O problema da sustentabilidade está no ser humano. Ele é a chave para todos os problemas.
Apostemos em nós mesmos, invistamos em nós, nos esforcemos para tornarmo-nos homens e mulheres novos e melhores.