Fernando B. Sanchez

A ansiedade tem sido um dos elementos que mais tem estado em moda nos últimos anos. Ela atinge pessoas de todas as idades, faixas etárias, posições sociais e sexos, sendo também responsável pela qualidade de vida de cada um de nós, servindo como termômetro para indicar mais qualidade, ou menos.
Não existe área profissional em que a ansiedade não esteja inserida, desde as mais caóticas, até as mais prósperas e são poucos os que sabem lidar conscientemente com ela a ponto de tê-la como uma aliada, utilizando-a a seu favor.
O que mais vemos a nível pessoal, são as mais variadas insatisfações, pois o desejo de querer que os momentos de lazer e entretenimento venham logo é tão grande quanto o mau aproveitamento deles. Quando estamos trabalhando, pensamos no que faremos quando chegar o final de semana, o que muitas vezes acaba comprometendo a qualidade de nosso trabalho, uma vez que nosso pensamento não está todo ele voltado para aquilo que estamos fazendo. E não há nada pior do que fazer uma coisa pensando em outra. Aparentemente pode parecer que nossa ação não perde qualidade, no entanto, esse “escape” mental movido pela ansiedade é um péssimo hábito que vai tirar justamente a folga, o relaxamento que nossa mente precisa para se dedicar a essa ação com tranquilidade.
Se fazemos uma atividade pensando em outra, estamos não só perdendo qualidade prática, como também sobrecarregamo-nos com elementos inapropriados. Essa sobrecarga é a que irá gerar um lastro, um peso que nos deixará esgotados no final do dia, da semana, mês ou ano. É como o pequeno vazamento, a infiltração ou a ferrugem que gradativamente vai proliferando, causando um problema maior lá na frente.
Um músico que está tocando seu instrumento, se aperfeiçoando e tentando dar o melhor de si naquele momento, perderá eficiência se nessa hora ele estiver pensando em outras coisas. Muitas vezes ele vai errar o tempo da nota, a intensidade que deve ser dada a cada uma delas, a leveza ou vitalidade no desenvolvimento da música, enfim, se ele toca sem pretensão de proporcionar uma boa melodia é uma coisa, agora, se ele busca a melhora constante, é preciso que o sentimento, o pensamento e a ação estejam em uníssono.
Fazendo um paralelo com a vida profissional, se estamos divididos e o resultado da nossa ação realmente não está sendo comprometido, a perda com essa divisão estará em algum lugar onde os olhos não conseguem notar. A maioria das vezes ela está roubando nossa satisfação de viver o momento presente, sentindo que estamos saudáveis, que estamos bem dispostos, que somos úteis e que atingimos o que almejávamos há um tempo, uma vez que hoje somos o resultado daquilo que pretendíamos atingir no passado.
O acumulo da falta de satisfação e tranquilidade nas ações do dia-a-dia levam as pessoas aos mais variados problemas físicos, vitais, emocionais, mentais e espirituais. Nesse sentido, é fundamental combater essa divisibilidade, esse péssimo hábito de fazer uma coisa pensando em outra, sem sentir o que está se fazendo. Para isso recorreremos ao conceito de indivíduo, etimologicamente, aquele que não se divide.
O indivíduo é aquele homem ou mulher que atinge um grau de unidade de pensamento, sentimento e ação, dando o melhor de si naquilo pelo qual é responsável, sem se deixar distrair, nem ser levado por interesses quer sejam de entretenimento, bem como econômicos, partidários, egoístas, enfim, ele busca a satisfação em fazer bem o seu papel, tendo a certeza que o fruto dessa ação correta será experimentado num determinado momento, independentemente de quando ou como seja.
É a mesma coisa que acontece com milhões de pessoas quando estão se alimentando. Ao invés de sentir o que estão comendo, pensando em encontrar e decifrar sabores, em perceber se estão saciados ou não, em mastigar bem e digerir de forma correta os alimentos, essas pessoas possuem atitudes as mais bizarras nesses momentos. Conversam enquanto comem, pensam no que aconteceu de errado, no que farão depois do almoço, pensam em como resolverão um problema, que resposta darão a um fornecedor, ao colaborador ou ao superior., assistem televisão, ouvem rádio, olham para todos os lados, esquecendo de comungar com o alimento.
Para mudar gradativamente o hábito da ansiedade é preciso muita reflexão com o que faremos a cada momento. Da mesma forma que um técnico orienta um plano tático para sua equipe., que um arquiteto desenha uma maquete idealizando uma obra., que um cozinheiro separa os produtos que farão parte do preparo de um determinado alimento, com muita atenção, bom senso e tranquilidade, da mesma forma é preciso delinear nossas ações, fazendo um planejamento com muita atenção, prevendo quando e quais serão os resultados delas, sabendo que há sempre uma margem para ajustes durante o processo e que o tempo estimado poderá sofrer vários reajustes em função de coisas inesperadas que venham a ocorrer.
Temos que ser realistas para controlar a ansiedade, é preciso ter os pés bem firmes no chão, embora a cabeça esteja no céu. Saber esperar e dar tempo ao tempo é um hábito que deve ser exercitado no quotidiano e isso pode ser desenvolvido com as situações as mais simples e variadas, como fazer um lanchinho tranquilamente, organizar nossos pertences com esmero, se dirigir a determinados lugares com antecedência, para evitar a presa e, também, dar vazão a essa energia de ansiedade para iniciar tarefas que não gostamos muito, utilizá-la como força motora para iniciar, dar continuidade ou concluir determinado projeto, mas tendo o cuidado de não pisar muito forte no acelerador, uma vez que a ansiedade tem que ser bem controlada para impulsionar-nos gradativamente em determinados momentos.
Dessa forma vamos aproveitando a nossa vida para conhecer um pouco mais de seus enigmas, entendendo seu funcionamento, suas leis, ciclos e ritmos, fazendo com que desfrutemos cada dia mais, incorporando bons hábitos e melhorando nosso estilo de vida.