Entrevista




Luciano Silva Alves



Prezo que minha empresa seja sadia, pois ela é como uma parte do corpo, se você descuidar ela morre.


Prezado leitor,

Chegamos a mais um final de ano, e para fecharmos com chave de outro nossa sessão de entrevistas, trazemos nesta edição a experiência de LUCIANO SILVA ALVES, 33 anos, casado, sócio-fundador da CENTRAL SUL MECÂNICA E ELÉTRICA, que tendo começado a trabalhar aos 15 anos nos prova mais uma vez que o sucesso não vem por acaso, pois é fruto de muita determinação e persistência. Para Luciano é fundamental ter ORGANIZAÇÃO. Aproveite a oportunidade para aprender novas formas de administrar e veja quão importante é a organização para quem almeja o sucesso.

Boa Leitura!



LEC. - Quando e como começou a Central Sul?

LUCIANO - A Central Sul Mecânica e Elétrica foi criada em agosto de 96. Eu comecei a trabalhar sozinho e logo no começo já enfrentei obstáculos. Em julho de 96 fui até São Paulo para comprar mais ferramentas para abertura da oficina, e voltando para casa na saída de São Paulo, fui assaltado. Levaram todas as ferramentas, inclusive o carro, só fiquei com a carteira no bolso. Mas a minha opção era trabalhar, comecei com o que tinha, com muita determinação, coragem e espírito vencedor e após alguns meses chamei meu irmão Oliver para vir trabalhar comigo, pois já estava dando serviço para nós dois. Hoje além do Oliver, tenho minha irmã Márcia como sócia e estamos no mercado com duas lojas: Central Sul Mecânica e Elétrica e Central Sul Auto Center.



LEC. – O que o levou a escolher esse ramo de atividade?

LUCIANO – Quando eu tinha 15 anos meu pai chegou e disse que queria que eu escolhesse uma profissão e que fosse trabalhar em alguma coisa. Ele me deu uma lista de profissões e eu levei três dias analisando o que tinha mais a ver comigo. Como eu era menino, gostava de carro, escolhi mecânica de autos, mesmo não tendo certeza de ter vocação para isso. Então eu me matriculei num curso de Mecânica de autos e na mesma semana já fui procurar serviço em oficinas mecânicas, até que consegui como ajudante geral, e fui aprendendo na prática. Naquela época não havia estrutura nenhuma para o trabalho, e para você ter uma idéia eu nem uniforme tinha, mas apesar de achar que ainda não era minha vocação, eu fui atrás, me esforcei e me dediquei muito, estudava e trabalhava, pois desde cedo fiquei focado nisso e principalmente, eu acreditava que um dia eu ia ter minha oficina. Apareceram muitas oportunidades em outros empregos, em bancos, em empresas, mas como eu já estava desde os 15 anos trabalhando fui enfrente e não desisti. Eu não sabia se daria certo, mas eu acreditei e hoje estou vivendo disso.



LEC. – Todos os sócios começaram a trabalhar cedo?

LUCIANO - Eu comecei com 15 anos. Meu irmão começou aos 14 anos, em uma auto-elétrica, e trabalhou 1 ano sem receber nada, somente com a intenção de aprender. Minha irmã também começou cedo com 12 anos, ajudando meu pai num mercadinho que ele possuía. Aos 19 anos montei a Central Sul, inicialmente com o Oliver, então com 16 anos. Atendíamos os clientes, fazíamos nosso serviço e administrávamos a empresa, o que era bem difícil. Depois de 2 anos a Márcia com 14 anos, veio para e cuidar da parte administrativa, o que faz até hoje. Meus pais nos deram a liberdade de escolher o que íamos fazer, mas dando o suporte e orientação necessários.



..*.. LEC. – De que forma sua experiência interfere na administração de sua Oficina?

LUCIANO – Quando eu comecei, não havia estrutura nenhuma, não havia incentivo, não tinha suporte de convênio médico, benefícios nem nada, mas a minha vontade de montar minha Oficia era o meu incentivo. Quando eu montei minha Oficina, tive o cuidado de oferecer aos meus colaboradores a estrutura que me fez falta, e hoje temos um ambiente muito bom de trabalho. Naquela época as pessoas não tinham muita confiança de deixar o filho trabalhar numa oficina mecânica porque o ambiente não era muito agradável, era muito rústico, os donos de oficina “não precisavam nem saber falar”, não sabiam tratar nem os clientes nem os funcionários, mas a realidade de hoje é diferente.



..*.. LEC. - De que maneira a formação familiar influência na administração de sua

empresa?

LUCIANO - A formação familiar é nossa base, meu pai sempre nos incentivou a termos nosso próprio negócio e em casa sempre fomos muito unidos, tivemos uma criação pautada na união, responsabilidade, respeito, amor e carinho.

Meu pai sempre pode nos oferecer coisas muito boas, mas se eu queria comprar alguma coisa ele me ajudava desde que eu merecesse. Eles não davam de mão beijada. Tínhamos que batalhar para termos algo e merecer a ajuda deles. Tínhamos o gostinho de lutar para ter uma camisa, um carro. Meu pai poderia dar, mas preferia nos ensinar a conquistar as coisas. Talvez se eu tivesse as coisas muito facilmente, eu não teria essa garra que tenho hoje. Se você tem um filho, não dê as coisas para ele, pois o valor que ele dará será pequeno. Na criação dos filhos de hoje você tem que ensinar o que é certo e a ter humildade. Eu vejo que hoje tem que ter uma dosagem, um equilíbrio, não passar muito a mão na cabeça.



..*.. LEC. - Trabalhar em família é a melhor forma de sociedade? Por quê?

LUCIANO - No nosso caso eu digo que sim, porque nossa relação é muito tranqüila, respeitamos as nossas diferenças e qualidades, e a nossa sociedade é pautada na confiança, admiração e respeito mútuo. As decisões importantes a serem tomadas entram em pauta e a opinião de todos é levada em conta. Mesmo com funções diferentes não fazemos nada sem saber a opinião um do outro. Na sociedade familiar é necessário ter o bom senso e saber separar as coisas, mas no nosso caso há uma enorme admiração e respeito um pelo outro o que facilita nossa convivência.



..*.. LEC. – Sua empresa investe em jovens sem experiência, como foi o seu caso?

LUCIANO – Sim. Com exceção do nosso alinhador, que veio com experiência de outros lugares, todos os outros que trabalham conosco chegaram sem experiência, sem saber nada sobre o que fazem, mas se tornaram profissionais de primeira linha. A média de idade hoje é de 29 anos, pois os funcionários que começaram permaneceram na empresa, nossa rotatividade é praticamente zero. Hoje procuramos incentivar o jovem a trabalhar através da parceria com a FUNDHAS, e isso tem sido excelente para a empresa. Temos o Julio com 16 anos que veio pela Fundhas e está se desenvolvendo muito bem.

O que a gente observa no jovem de hoje é que eles querem ganhar dinheiro fácil e rápido, para comprar e consumir, e não é bem assim, pois tudo leva tempo. Eles não esperam o retorno, primeiro querem ganhar dinheiro, e o jovem precisava ter um pouco mais de paciência, para poder se aperfeiçoar e se desenvolver bem no trabalho.



..*.. LEC. – Você e seus sócios têm curso superior?

LUCIANO - Eu não tenho Curso Superior, por opção, pois desde cedo fiquei focado na minha preparação técnica, montei meu negócio, e acabei aprendendo no dia-a-dia mesmo. Minha irmã está terminando o curso de direito, visando ajudar na parte administrativa na empresa, pois lidar com as questões trabalhistas e burocráticas é muito complicado e importante. O Oliver tem vários cursos na área, é técnico em eletrônica, e se empenha muito em sua área de atuação, pois ele já nasceu sabendo que isso era a vocação dele. A ausência de um curso superior no meu caso não pesa tanto, pois a experiência que eu conquistei trabalhando desde os 15 anos e o empenho em fazer todos os cursos relacionados à área mecânica me suprem, mas eu acho válido que outras pessoas tenham também essa preocupação.

De qualquer maneira, não adianta você querer moldar o jovem a fazer algo para a qual não tenha vocação, por isso forçar o jovem a escolher uma faculdade e não incentivar a trabalhar, pode não ser a melhor forma. O jovem tem que suar um pouco a camisa, trabalhar, acordar cedo, assumir e cumprir os compromissos, pois isso traz um benefício muito grande. Vai estudar, mas tem que trabalhar também, e começar com coisas simples, e não visar apenas o emprego bom, com salário alto, o que é difícil quando você não tem experiência. O Jovem não quer se sujeitar a qualquer emprego, ele quer começar do topo. Você pode saber muita teoria, saber falar muito bem, mas a experiências é essencial.



LEC. – Você enfrentou preconceito em relação à profissão que escolheu?

LUCIANO – Não digo preconceito, mas tinha amigos que diziam que não entendiam porque eu havia escolhido ter uma oficina mecânica, nem entendiam que eu trabalhava por salário baixo, mas hoje eles veem que deu certo e dizem que eu ´dei sorte´, mas na verdade eu me empenhei muito para ter minha oficina, e não a conquistei por sorte, mas pelo trabalho e dedicação. Eu sabia que aquilo que eu passava era importante para adquirir experiência, para aprender. Quem tem seus objetivos, tem metas, vai conseguir. Para você atingir o sucesso tem que haver uma história, tem que acreditar. Você tem que ter um pouco de tudo, mas não é só ter sorte.



..*.. LEC. - Quais os requisitos indispensáveis na hora da contratação de um

colaborador?

LUCIANO – Isso depende da área que ele vai atuar, mas o principal é ter qualificação para a área, como cursos técnicos, ser uma pessoa responsável, saber atender clientes, ser indicado por alguém que conhecemos etc..



..*.. LEC. - Qual o critério mais importante: a experiência anterior ou a formação

teórica?

LUCIANO - Os dois são importantes, mas a experiência anterior nem sempre é necessária, pois gostamos de ensinar ao novo funcionário o nosso padrão de qualidade. A teoria também é importante, pois é a base do aprendizado.



..*.. LEC. - De que forma o cliente interfere na administração da empresa?

LUCIANO - De uma forma geral o cliente influencia em todas as áreas da empresa, através de elogios ou de criticas, o que é bem vindo, pois este é o termômetro da nossa qualidade de atendimento e para que possamos nos aprimorar. O contato com o cliente é direto e essa relação tem que ser lapidada. Quando você possui uma boa equipe, uma boa gestão e busca informações existe um reconhecimento que vem de forma rápida. Esse cliente demonstra carinho e confiança por nosso trabalho, indicando nossos serviços a familiares e amigos.



LEC. - Quando ocorre um conflito entre cliente e funcionário, como resolvem a situação?

LUCIANO - Para resolver problemas a melhor opção é escutar ambas as partes e a partir daí tirar uma conclusão e solucionar o conflito.



LEC. – Como é o relacionamento entre proprietários e colaboradores?

LUCIANO – Nós conversamos muito e temos uma relação de liberdade mútua. É um relacionamento pautado na honestidade, feito de forma transparente, pois passamos mais tempo juntos dentro da empresa do que com as nossas famílias. Fazemos reunião todo mês, mas eu me preparo para a reunião, faço a pauta conforme o que foi observado durante o mês, exponho minhas experiências e ouço o que a equipe tem a dizer. Além disso, eu tento oferecer o melhor em ferramentas e informações técnicas, para que eles possam exercer bem o trabalho, e com isso todo o time ganha. Tudo o que está relacionado com a empresa eu passo para os colaboradores em reunião. Eu não sou o dono da verdade, então eu exponho as coisas, dou sugestões e escuto as opiniões deles, pois dessa forma todo mundo ganha.



LEC. – Como sua forma de administração reflete na harmonia entre empregador e colaborador?

LUCIANO – Na empresa há total liberdade entre a diretoria e os colaboradores. Para manter a ordem, é importante que todos cumpram com a sua parte. A empresa mantém seus compromissos com o colaborador, pagando pontualmente o salário, dando as férias e encargos corretamente, sustentando suas obrigações, e a partir do momento em que você cumpre o que foi combinado com o colaborador, você consegue também exigir dele que cumpra a sua parte. Elogiar quando merece e pegar no pé quando precisa, faz com que fique bom para as duas partes. Minha postura, seriedade, exemplo, me colocam numa posição de parceiro, e em contrapartida, o colaborador corresponde da mesma forma. A gente tem que manter uma linha de trabalho, eu venho para a empresa todo o dia, me empenho, me esforço e mostro que é assim que funciona. Eu prezo que minha empresa seja sadia, pois ela é como uma parte do corpo, se você descuidar ela morre. O funcionário tem que fazer parte da empresa, saber da realidade do mercado, e aí ele vai analisar também como ele está trabalhando e de que forma ele pode contribuir mais com a empresa. Hoje eles teem convênio médico, seguro de vida, um ambiente agradável para trabalhar, pois isso também interfere na saúde da equipe e da empresa. Nós nos preocupamos com o colaborador, e não apenas em cumprir as obrigações burocráticas.



..*.. LEC. – Como você administra o fato do colaborador deixar sua empresa e ir para outra?

LUCIANO - Se eles recebem uma proposta de serviço em outra empresa, eu dou a liberdade de correr atrás, porque é natural que a pessoa queira procurar coisas melhores. Às vezes eu não tenho como cobrir a oferta salarial, e não posso impedir o colaborador de ir. Uma vez um funcionário me disse que tinha sido convidado, mas estava em dúvida em aceitar. Então eu falei para ele ir trabalhar um dia lá, para ver se realmente queria sair. Ele foi e voltou dizendo que lá não tinha os equipamentos de trabalho que eu tenho aqui, e mesmo a proposta salarial do outro sendo maior, o funcionário preferiu ficar. Em outro caso o rapaz passou no teste, e no dia de começar a trabalhar não foi contratado. Aí ele pediu para voltar e eu aceitei numa boa. Na relação com os funcionários não pode haver ressentimento, tem que existir liberdade e respeito. Se ele vai e abre seu próprio negócio e dá certo, eu fico feliz por ter contribuído de alguma forma porque ele trabalhou e aprendeu aqui, e agora está progredindo. Ver as pessoas acreditarem e vencerem é uma maravilha.



..*.. LEC. – Como vocês planificam a empresa?

LUCIANO - Todos os anos no 1° dia de trabalho eu e meus irmãos nos sentamos para definir metas, e as colocamos no papel, estimando o pequeno, médio e longo prazo. Nessa fase de planejamento, priorizamos o que é melhor para a empresa, havendo destaque para o estoque.



LEC. - O planejamento é primordial para a administração da empresa? Como conduzem a solidificação da empresa e a expansão dos negócios?

LUCIANO - Ter um planejamento com metas estipuladas é fundamental. Qualquer projeto tem que ser bem estudado antes de ser colocado em prática, pois os riscos e imprevistos teem que ser calculados para evitar surpresas. A solidificação da empresa é resultado da conquista de muito trabalho e a expansão proposta até agora foi concluída com um planejamento sólido.



LEC. – Como é o desenvolvimento de projetos e metas?

LUCIANO – Eu comecei sozinho, com minha caixa de ferramentas. No futuro eu espero ter um maior número de colaboradores e aumentar minha instalação. Nosso objetivo agora é montar uma autopeças, Estou focado nisso. Eu quero no futuro poder abastecer as minhas lojas com autopeças. Estou estudando, pesquisando, pois não dá para começar com a cara e a coragem de novo. Para iniciar algo você tem que se preparar. O Sucesso vem com organização. Se você não tiver organização, quiser fazer a coisa de imediato, quase sempre não vai dar certo. É necessário ter preparo, mas com uma boa dose de arrojo, pois se ficar pensando muito também nada sai do papel. Precisa pagar para ver, mas com base. Correr o risco de forma calculada.



..*.. LEC. - Os cursos de treinamento são importantes em sua empresa?

LUCIANO - Sim, o treinamento é fundamental para se manter atualizado no ramo automotivo, que muda todos os dias com a criação de novas tecnologias. Através dos treinamentos nós e nossos funcionários absorvemos novos conhecimentos para atender a demanda que o mercado exige.



..*.. LEC. - Como fazem para manter o interesse e entusiasmo dos colaboradores?

LUCIANO - A motivação é gerada por meio de benefícios, como assistência médica, seguro de vida, um programa de treinamento e um salário compatível ao mercado, aliados a um ambiente de trabalho agradável e aberto a sugestões.



LEC. - Já passaram por períodos de crise? Como administraram a situação?

LUCIANO – Sim. Vou contar uma historinha sobre ´crise´. A palavra crise tem origem na peneira dos gregos. Separação, passagem estreita. É da mesma origem da palavra ´crivo´ que separa o duto de água em jatos menores. O crivo separa. Na peneira estão os bons e os que devem continuar. Ao peneirar é feita a separação. Quem não deve ficar é lançado fora. Assim é a crise que estamos vivendo. Ficará quem for bom. Ficarão as empresas que se mantiverem fiéis aos seus propósitos de produzir e reinvestir no próprio negócio os recursos advindos da produção. Administrar a situação de crise, e a união de todos os envolvidos na empresa em todos os setores onde todos tem liberdade num momento difícil de criar, renovar e ao mesmo tempo, conter custos até a tempestade passar.

O carro bonito, a casa no Condomínio fechado tem que vir depois que a sua empresa ficou do jeito que você sonhou. Enquanto sua empresa não estiver estruturada, você não pode se preocupar com os bens materiais que lhe darão prazer, porque focar nisso pode levar sua empresa até a fechar as portas. O espírito empreendedor exige que você foque na empresa, pois ela lhe dará o conforto futuro. Você tem que se preocupar primeiro em deixar a sua empresa forte.



LEC. - Como manter a qualidade no atendimento e dos serviços em

períodos de crise?

LUCIANO - A qualidade no atendimento é primordial em qualquer empresa, seja na crise ou em situações confortáveis. Atualmente fidelizar o cliente é uma tarefa conquistada através do bom atendimento, considerado uns dos patrimônios da nossa empresa.

Algumas empresas dão um excelente atendimento ao cliente na primeira vez, e depois que adquirem a sua confiança passam a tratá-lo de forma menos cuidadosa. Isso é errado. Quanto mais tempo o cliente tem com você, melhor deve ser o atendimento. Escutar o cliente, dar atenção, receber bem quando ele retorna, mesmo que seja para reavaliar algum serviço é importantíssimo. O atendimento de hoje tem que ser igual, ou melhor, quando você retornar, e melhorar com o tempo. Você tem que zelar pelo cliente conquistado, e lembrar que o cliente merece que você faça seu trabalho bem feito.



LEC. – Vocês trabalham com serviços que podem oferecer riscos pessoais e patrimoniais se forem mal executados. Como isso é passado aos colaboradores?

LUCIANO – Essa responsabilidade eu trabalho muito forte, porque é uma situação em que não pode haver dúvidas e não pode ser feita pensando ´que ninguém vai ver mesmo então vou fazer assim´. Eu lido com o bem mais valioso que é a vida, envolve a família, envolve o ser humano. Então não pode imaginar que vai fazer um serviço mal feito. Não há chance de ver a situação com problema e passar por cima, pois tudo gera consequências. Imprevistos acontecem, mas se você pode evitar ou deixou de fazer o que deveria ter sido feito, isso dará problema. Qualquer empresa ou prestadora de serviço tem que levar a prestação do serviço de forma correta. Não há margem para o erro. A responsabilidade é cobrada diariamente.



LEC. – Como agem quando o cliente tenta discutir o preço comparando ao da concorrência ou tenta substituir peças ou serviços por outros de qualidade inferior para baratear o orçamento?

LUCIANO – Eu sempre limito meu preço em relação à qualidade. Se o que o cliente pede barateia o serviço, mas pode comprometer a qualidade, eu me recuso a fazer. Mostro a situação, explico porque minha posição é essa e se ele mesmo assim insistir em fazer do jeito dele, eu não pego o serviço. O procedimento correto vai até aonde eu possa fazer o serviço com segurança. Tem que ter um padrão. Eu tento com a minha experiência e com a minha forma mostrar que não dá para fazer o trabalho de forma a comprometer o resultado, mesmo que ele me diga que a concorrência tem uma solução mais simples ou mais barata. A empresa tem que se preocupar com isso, em manter seu nome, em cumprir suas responsabilidades. Eu preciso trabalhar, mas não deixar que o cliente mande na empresa, prejudicando toda a nossa política de trabalho. O Orçamento é sempre completo, e se tem uma segunda opção que não cause problema, eu dou a alternativa, mas se ele me apresentar uma opção que vá comprometer o trabalho eu não faço.



LEC. – Estando à frente da empresa, como você faz para administrar simultaneamente a vida pessoal e a profissional?

LUCIANO – Quando você monta uma empresa, existe o momento de dedicação. Mas é importante entender que família é família, empresa é empresa. Durante o horário de trabalho você tem que se dedicar só a isso. Quando o horário da empresa termina, você tem que se direcionar para o pessoal, não ficar escravo da empresa, porque se não for assim acabará adoecendo, e lá na frente talvez nem consiga usufruir o que a empresa possa lhe proporcionar. Você tem que se organizar e manter seus horários para poder cuidar dos compromissos profissionais, mas também cuidar da sua saúde, do lazer, da família, dos amigos, ou seja, trabalhar sem estresse, com muita dedicação, mas sabendo aproveitar os momentos de descontração. Buscar a qualidade de vida, pois de nada adianta ter um grande patrimônio, e não ter saúde, não estar bem com a família e com os amigos. Isso é que me deixa com vontade de acordar cedo e trabalhar. Se você consegue ao longo do ano se organizar e separar o tempo de dedicação a empresa e o tempo a ser dedicado para você mesmo, não precisa nem tirar os 30 dias de férias tradicionais, pois não deixa acumular os problemas. Quem se dedica ao extremo é porque entra num estágio em que sua empresa começa a crescer muito rápido, mais do que aquilo que você está preparado para atender. Então você começa a investir tempo, dinheiro e trabalho na empresa para alcançar esse crescimento. Só que se isso não for feito de forma ordenada, causa o estresse, a sobrecarga de trabalho.



..*.. LEC. - Que papel exerce o funcionário em sua empresa?

LUCIANO - O funcionário tem que sentir que ele é importante para o negócio, e não apenas uma ferramenta de geração de lucro.



LEC. – Resuma em uma frase o que move a sua empresa.

LUCIANO – SUCESSO É FRUTO DE ORGANIZAÇÃO. Eu tenho isso comigo. Essas palavras são minha base profissional. Quem não é organizado não se estabelece. A organização gera sucesso em todos os níveis, pessoal e profissional, pode acreditar. Ponha metas e vá lutando por isso. Você tem que acreditar e lutar por aquilo que você começou. Eu acho muito bonito ver que aquilo que você sonhou e acreditou, se empenhou e trabalhou para realizar, pode ser dividido e que acaba envolvendo outras pessoas que passam a fazer parte do sonho e a viver dele também. Isso me deixa muito feliz. É o que me dá vontade de estar aqui.