PROCURAR UMA OPORTUNIDADE DE APRENDIZAGEM NAS SITUAÇÕES REQUER UMA GRANDE DOSE DE CORAGEM!
EPICTETO
“Em qualquer acontecimento, por mais terrível que pareça ser, não há nada que nos impeça de procurar uma oportunidade oculta. É uma falha da imaginação não fazê-lo. Contudo, procurar uma oportunidade de aprendizagem nas situações requer uma grande dose de coragem, pois a maioria das pessoas que nos cerca insistirá em interpretar os fatos da maneira mais óbvia: sucesso ou fracasso, bom ou mau, certo ou errado.
Essas categorias simplistas e polarizadas não permitem que se visualize outras interpretações mais criativas – e úteis – dos acontecimentos que talvez sejam muito mais vantajosas e interessantes.”
O livro “A Arte de Viver” de Epicteto, nos trás ensinamentos magníficos. É muito importante compreender a questão acima, principalmente em nossos dias, ainda que este grande filósofo tenha vivido muitos séculos atrás, pois trata de uma postura fundamental diante da vida. A interpretação dual dos acontecimentos retira a possibilidade da pessoa desenvolver sua criatividade, e de crescer em vários sentidos.
Existem tantas formas de interpretação, tantos pontos de vista, inúmeras e infinitas possibilidades que poderiam nortear numa boa direção cada momento vivido que é muito triste saber que a grande maioria fica presa em somente dois pólos.
A sociedade tem conduzido as pessoas a acreditarem e virem os fatos de forma limitada. Quando quebra uma taça na casa do vizinho logo afirmamos que foi somente uma taça. Porém, se é em nossa casa, a história é outra, pois por trás de uma taça que se quebra há um infindável aprendizado, em inúmeras direções, para todos os envolvidos.
A pessoa que a quebrou tem a possibilidade de exercitar a humildade pedindo desculpas e lamentando a situação perante o dono da peça, mudando completamente sua postura e tornando-se mais atenciosa e cuidadosa.
O dono da taça, por sua vez, tem a oportunidade de exercitar seu desapego, pois é apenas uma taça. Ele coloca em prática sua compaixão e generosidade tentando reconfortar o outro, aprendendo a animar aquele que ficou abalado com o fato.
Uma terceira pessoa exercitará a habilidade de fazer o “meio de campo”, reconfortando cada um dos envolvidos, colocando-se na posição de um e de outro e, de certa forma, vivenciando a situação de ambos.
O mesmo exemplo pode ser aplicado a objetos simples e para bens de maior valor econômico, e também para um ente querido.
Precisamos exercitar nas pequenas coisas as grandes qualidades que compõem os seres humanos, preparando-nos para enfrentar as adversidades impostas pela vida para que possamos crescer e evoluir com elas, ao invés de ficarmos “anestesiados”, abalados e chocados com o que não se pode mudar.
Quando éramos crianças e estávamos na escola os professores nos colocavam diante de problemas, a princípio insolúveis, para que pudéssemos nos superar e crescer com os mesmos. Eram equações matemáticas, textos difíceis e até situações de esforço e habilidade física.
Assim, foi durante muitos anos, inclusive nos primeiros trabalhos, enfrentamos situações que nos fizeram aprender e crescer com elas. Formas desajeitadas de manipular alguns equipamentos, desconcerto diante de clientes e colegas de trabalho, enfim, há um aprendizado em tudo.
Essa é uma das formas pela qual a vida se expressa. Podemos nos posicionar nos extremos entre o prazer e a dor, o certo ou errado, o bom ou o ruim, ou então, buscar o sentido oculto de cada situação, aprendendo com ela e percebendo qual a direção apontada pela vida, para nosso momento atual, aquele que nos fortalecerá, tornando-nos pessoas mais generosas, desapegadas, dedicadas e flexíveis.
..*.. “A Arte de Viver” - Epicteto, editora Sextante.