Letras minúsculasO ser humano é opaco para si mesmo. Não conhece como seu universo subjetivo distorce ou direciona sua percepção dos fenômenos externos.
Carmen Migueles, João Ricardo Lafraia e Gustavo Costa de Souza
O termo cultura tem associações diferentes, conforme tenhamos em mente o desenvolvimento de um indivíduo, de um grupo ou classe, ou de uma sociedade (Eliot, 1988). A cultura do indivíduo depende da do grupo., e a do grupo, da sociedade. Por outro lado, a cultura da sociedade não determina a do grupo, nem esta a dos indivíduos, que processam as informações que recebem através da linguagem, dos rituais, da cultura material, de forma idiossincrática. Embora mantenha as tendências gerais nas formas de ver o mundo e atuar nele, o indivíduo tem um espaço próprio de ação, por ser um ser dotado de consciência e razão, e, portanto, capaz de refletir e atuar sobre sua realidade e sobre si mesmo com autonomia.
No entanto, existe uma questão sobre a qual a maioria dos pesquisadores dessas áreas tende a concordar: o ser humano é opaco para si mesmo. Não conhece as forças culturais, linguística, estruturais ou funcionais que atuam sobre sua percepção e ação no mundo, nem as formas como seu universo subjetivo distorce ou direciona a sua percepção dos fenômenos externos.
As teorias do conhecimento apontam para o fato de que a linguagem e os signos que as compõem são estruturantes da consciência.
O que isso quer dizer é que existem certos elementos na cultura que nos fazem pensar de uma forma e não de outra, levando-nos a certas conclusões e não a outras, sem nos darmos conta.
É fundamental termos claro nossos objetivos de vida, o que queremos nos âmbitos profissional, pessoal, familiar e espiritual, e nos organizar para que possamos ocupar o nosso tempo com elementos que realmente colaborem nessa direção, que nos fortaleçam para nossas conquistas.
Como o livro ´Criando o hábito da excelência´ bem coloca, os elementos de distração nos farão pensar de uma maneira diferente da que pensamos e a agir de uma forma diferente da que queremos, levando para o sentido oposto ao das nossas realizações pessoais.
Todos queremos viver com qualidade, tranquilidade, ser bem sucedidos e felizes. Essa é uma condição natural do ser humano. No entanto, nada acontece por acaso e vemos que as pessoas que alcançaram seus objetivos foram aquelas que trabalharam nesse sentido de forma ampla, cuidando-se, preparando-se, planejando seus passos e indo atrás dos elementos necessários para tanto, com muita determinação, seriedade e empenho.
Acontece que muitas pessoas boas e honestas estão ficando cansadas, estressadas, inseguras e desanimadas, e não sabem o que está se passando, pois repetem a música da maioria, ´é a crise que está brava´. Na verdade, podemos notar que a grande maioria está se deixando levar pela força da correnteza, ou seja, absorvem diariamente uma quantidade de informações que não lhes acrescenta nada, que não as melhora como seres humanos, nem as fazem crescer como pessoas, tornando-as melhores, mais elevadas, mais conhecedoras de suas qualidades e limites, para terem a segurança em seus futuros.
Muitas das informações que são absorvidas agem como mostrado no livro, ou seja, fazem com que tomemos decisões e ajamos de uma forma diferente do que gostaríamos ou vão ao encontro dos nossos anseios.
O entretenimento que antes servia para relaxar, se tornou formador das opiniões que ditarão suas ações futuras. As informações absorvidas enchem nossas cabeças com mais preocupações, sendo que a grande maioria delas está fora de nossa competência.
Já pensou se em nosso trabalho, ou na escola, todos compartilhassem seus problemas familiares, profissionais e pessoais diariamente? Uma coisa é um amigo ou outro que nos confidencia algo o qual podemos ajudar, outra coisa são problemas que estão fora de nosso contexto de competência e que acabam desenvolvendo em nós a sensação de impotência, uma vez que nada poderemos fazer.
As pessoas chegam em casa e, ao invés de fazerem um retrospecto saudável de seu dia ou organizarem o dia seguinte, ao invés de compartilharem o planejamento de seus familiares, vizinhos e amigos, acabam usando a TV para se distrair com coisas engraçadinhas, dramáticas ou ´interessantes´. E assim dia após dia, mês após mês, buscando apenas a distração, a pessoa chega no final do ano com um acúmulo de distrações que em nada colaboraram para a concretização da tão falada felicidade e bem estar de todos.
Daí a necessidade de controlarmos nossos entretenimentos e distrações, para sabermos qual a melhor forma de nos ´distrairmos´, ou seja, para sairmos um pouco do ´corre-corre´ diário, mas que também nos traga benefícios afinados com o que queremos para nós e para nossos entes queridos. Precisamos do entretenimento que nos acrescente conhecimento e nos ajude a sermos melhores, para juntos podermos construir uma sociedade nova e melhor.